Gripe mata três vezes mais em 2018 e preocupa população e autoridades

Até julho de 2018, a gripe já matou no Brasil mais de 800 pessoas. O número é cerca de três vezes maior do que o observado no mesmo período do ano passado, além de já alcançar quase 70% de todos os óbitos registrados devido à doença em 2017.

Além disso, o registro de casos totais da doença também subiu. Neste mesmo período, foram cerca de 4800 casos confirmados. Em 2017, eram cerca de 2800 registros da doença. Entretanto, os números podem ser ainda maiores, já que muitos casos menos graves da doença são tratados domesticamente, não sendo comunicados aos órgãos de saúde.

A alta taxa de óbito registrada em 2018 pode ser explicada em parte pelo tipo de vírus que está circulando neste ano. Em 2017, o vírus que mais circulou foi o H3N2, que costuma apresentar complicações restritas a grupos de risco, como crianças, gestantes e idosos. Já em 2018, é o H1N1 o vírus mais propagado, com maior letalidade em todos os grupos, sejam ou não de risco. Esse vírus é o mesmo que criou uma epidemia da doença em todo o país no ano de 2010.

Outra explicação para a explosão de casos e mortes é a baixa taxa de vacinação da população. Apesar da aplicação gratuita nos postos de saúde para os grupos de risco, que incluem, além de crianças, gestantes e idosos, profissionais da saúde, indígenas e indivíduos relacionados ao sistema prisional, em São Paulo, Estado onde há mais casos casos confirmados da doença e que concentra 40% dos óbitos registrados, apenas 79,4% da crianças foram vacinadas, enquanto o percentual das gestantes é ainda pior: apenas 70% delas foram imunizadas em 2018.

Em todo o país, esses mesmos grupos não bateram a meta de vacinação estipulada pelo Ministério da Saúde. Em uma tentativa de reverter esse quadro, o governo estuda estender o calendário de vacinação, além de aumentar os grupos de pessoas que terão imunização prioritária. Apesar da vinculação de notícias falsas que dizem o contrário, não há chance de transmissão da gripe através da vacina, que é o único meio de se prevenir de forma eficaz.