Gripe aviária vem como um novo vírus que é mais letal e resistente

Desde 2013, o vírus vem circulando na China e é apontado como um forte candidato na próxima epidemia de gripe. O alerta foi dado pelo epidemiologista Tiomothy M. Uyeki, da Divisão de Influenza do Centro de Controle de Doenças, o CDC dos Estados Unidos. Sendo esse o vírus número 1 em termo de preocupação, devido ao seu potencial de impacto e severidade nas pessoas. O H7N9 não teve evolução em suas quatro primeiras epidemias, porém isso mudou na quinta vez que houve a infecção.

A Revista Cell Host & Microbe publicou uma pesquisa que reforça o risco do vírus aviário, não somente na Ásia onde os casos se concentram até agora. A nova cepa do H7N9, chamada de HPAI é extremamente patogênica, e eficiente nas células do trato respiratório nos humanos, constatou o trabalho realizado pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Tóquio.

Foram 1,6 mil casos de infecções humanas até a segunda quinzena de novembro deste ano com 39% de mortes. Apesar da transmissão por pessoa ser rara, o vírus tem se mostrado rápido em suas mutações. A vacina é outro fator preocupante, pois elas não atendem às novas especificações do micro-organismo. Ueyeki explica que já existem candidatos a imunização que será testada no ano que vem.

O pesquisador da universidade de Tóquio, Masaki Imai, que participou do estudo, explicou que no caso das aves o vírus circula sem ser patogênico, ou seja, as aves ficavam infectadas, mas não apresentavam sintomas da doença. Por isso, o vírus agiu tanto tempo em silêncio contaminando os animais e depois os humanos que entraram em contato com eles. O vírus da influenza possui uma capacidade grande de adaptação, e o hospedeiro altera de forma pequena seus genomas a cada nova infecção. Essas mutações ocorrem em regiões que levam a significativa alteração do vírus em sua forma original. Ele se torna capaz de infectar tipos de hospedeiros novos, ficarem patogênico e causar doenças graves resistentes aos medicamentos.

As evidências de contágio humano ainda são pequenas, destacam os pesquisadores, porém eles observam que o vírus vem fazendo mutações rápidas e sem precedentes nas epidemias anteriores, o que o torna altamente transmissível entre humanos. As pesquisas devem ser intensificadas e novas vacinas também serão necessárias, algo que a equipe de pesquisadores já começou a trabalhar.